Como tocar acompanhamento de melodia cifrada #5

Publicado por Denise Ogata em

Usando notas na mão direita

Neste quinto e último vídeo desta série sobre acompanhamento vamos ver como usar os acordes na posição aberta e distribuir as notas na mão direita, junto com a melodia.    

Os exemplos usados são “Teresinha de Jesus” (cantiga popular), “Some of these days” (S.Brooks”, “Yesterday” (J.Lennon; P. McCartney) e “Eu não existo sem você” (T.Jobim; V.Moraes). 

Os acordes abertos

Assim como vimos no post/vídeo anterior sobre as inversões, antes de tudo, é preciso ter em mente quais são as notas que formam cada acorde e saber qual a relação de intervalo no acorde, ou seja, quem é a tônica, terça, quinta, sétima e assim por diante. 

Para os acordes abertos, uma ou mais notas do acorde trocam de lugar deixando “em aberto” a ordem que normalmente estariam,  podendo se localizar então 1 ou 2 oitavas acima ou abaixo do seu local “original” (ou seja, local no acorde fechado, em bloco).

Por exemplo, para o acorde de Am, podemos jogar a 3a (dó) para 1 oitava acima, deixando no local a tônica (lá) e a quinta (mi) promovendo a abertura do acorde, que agora terá a distribuição das notas em : lá – mi – dó . Quando possível  e, se desejado, a nota transferida poderá ser tocada pela mão direita, junto com a melodia : 

Disposição das notas do acorde fechado e aberto

Distribuindo as notas

Agora que você já viu como funciona a abertura do acorde, é necessário fazer a distribuição das notas entre as duas mãos, de acordo com a melodia e a progressão dos acordes. 

Isto significa que a partir das notas da melodia, vamos nos guiando sobre qual nota poderá ser excluída do acorde, caso a melodia já traga notas da formação do mesmo. Se não for este o caso, é preciso escolher dentre as notas essenciais do acorde (tônica, 3a, 7a, 5a dim ou aum) e quais notas se encaixarão melhor simultaneamente com a melodia.

É importante também verificar como caminham os acordes para buscar aberturas que sejam mais adequadas para tocar, com atenção aos saltos, distância da melodia e sonoridade (grave, agudo).

Abaixo temos o exemplo de “Yesterday” em que foi usada a tônica e quinta na mão esquerda e, na mão direita, ora a 3a, ora a tônica do acorde, dependendo da nota da melodia. 

Em “Eu não existo sem você” agora com as 7as, temos a distribuição das 4 notas do acorde com a mão esquerda usando tônica e terça (ré e fá#, no acorde de D7M) e tônica e sétima (si e lá, no acorde de Bm7):

Outras distribuições de notas na mão esquerda

Você pode conferir outras opções de abertura e demais exemplos de músicas assistindo o vídeo. Clique aqui.

Qual abertura utilizar?

Aqui novamente temos que nos basear na melodia, ou seja, se a melodia contém notas do acorde, já fica mais fácil saber quais notas da harmonia vamos adicionar ou omitir.  

Como já foi mencionado, é essencial manter algumas notas dos acordes, aquelas que formam os intervalos de 3a, 7a, 5a diminuta e aumentada, pois eles caracterizam os mesmos. Assim, se houver necessidade de omitirmos uma nota, a primeira opção é a 5a do acorde (sendo intervalo de 5a justa).

Obviamente, existem exceções e situações em que não é possível adicionar ou manter estes intervalos, mas tudo vai depender da melodia, da progressão dos acordes, de como estão sendo usadas as notas no ritmo, de gêneros musicais ….enfim, são diversos fatores que não cabem ficarmos detalhando aqui. 

O principal, neste enfoque, é montar os acordes distribuindo cada nota, verificando junto com a melodia e procurando manter as notas dos acordes presentes, de uma forma possível de se tocar, para que a música possa fluir.

Conclusão final, dicas e o que mais?

Chegamos ao fim da série sobre acompanhamento! 

Vimos diversas formas, desde o uso básico dos acordes só apoiando a melodia até aqui, onde juntamos notas dos acordes com a própria melodia. 

Saber sobre a formação dos acordes é fundamental para aplicar a abertura e inversões, bem como as configurações vistas  (arpejos, quebrados, baixo+acordes).

Além disso, estudar sem pular as etapas também é recomendável já que só assim é possível adquirir segurança e desenvoltura na hora de fazer os arranjos e tocar. 

E o que mais ? 

Após conhecer e estudar estes pontos sobre o acompanhamento, chega o momento de expandir e desenvolver ainda mais cada um dos pontos. 

É a hora de estudar e usar ritmos mais complexos, acordes com mais tensões e variações das configurações, além de “misturar” tudo explorando muitas possibilidades. 

DICAS :

  • monte os acordes, anote e grave para ouvir como soa a abertura escolhida e como caminham as vozes (as notas de cada acorde).

Agora aplique todos os conhecimentos adquiridos e vá em frente!

Até a próxima!

Baixe as partituras dos exemplos e faça este treino : CLIQUE AQUI

Assista também o vídeo para ver os exemplos completos e tocados no piano : 

Imagem da capa : Pixabay


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