Como tocar acompanhamento de melodia cifrada #4

Publicado por Denise Ogata em

Mudando o modo de tocar os acordes

Neste quarto vídeo desta série sobre acompanhamento vamos ver como tocar as notas dos acordes de formas diferentes, ou melhor, usando outras configurações ao invés de tocá-los apenas fazendo soar harmonicamente as notas, como vimos anteriormente, nos acordes em bloco (ou fechados).

Os exemplos usados são de todos os demais vídeos até o momento, com trechos para ilustrar estas práticas :  “Yesterday” (J.Lennon; P. McCartney)(confira este exemplo no vídeo), “Eu não existo sem você” (T.Jobim; V.Moraes), “Teresinha de Jesus” (cantiga popular) e “Some of these days” (S.Brooks). 

1a configuração : acordes quebrados

No acorde quebrado, alternamos uma nota com as demais tocadas juntas. Então, por exemplo, podemos usar de uma tríade, a tônica alternando com a 3a e a 5a juntas e de uma tétrade a tônica alternando com a 3a, 5a e 7a juntas. Claro que, se o acorde estiver invertido, então esta ordenação irá mudar. O ritmo pode ser variado, como mostra a figura: 

Veja o trecho de “Eu não existo sem você” usando tríades e tétrades: 

2a configuração : arpejos

Esta é uma das configurações mais usadas em arranjo para piano solo. Como temos inúmeras possibilidades para fazer os arpejos, seja mudando o ritmo, a ordem das notas, a direção, os intervalos vamos ver aqui apenas o conceito e o modo básico. Ele é o ponto de partida, ou seja, a partir dele, podemos fazer as variações.  

Então temos para uma tríade, o arpejo com tônica, 3a e 5a subindo, uma nota após a outra. Fazendo variação de ritmo, de direção e de intervalo teremos as notas em colcheia e chegando a 8a em movimento ascendente e descendente : 

No exemplo abaixo temos “Teresinha de Jesus” com o arpejo em semínimas sendo Am,  Lá-dó-mi e Em, mi-sol-si e em colcheias,  sendo Am, Lá-dó-mi-lá (8a)-mi -dó e  Em, mi-sol-si-mi (8a) si-sol : 

3a configuração : baixo + acordes

Esta maneira de tocar é semelhante a quebrar o acorde, só que escolhemos uma nota para o baixo e alternamos com o acorde inteiro, seja na posição fundamental ou invertida.

Mais interessante é usar o baixo numa oitava, deixando a nota na região bem grave e o acorde em outra oitava, para proporcionar maior distância entre eles. Consequentemente, este modo acaba sendo um pouco mais difícil de tocar devido a estes saltos entre baixo e acorde, portanto, atente-se a este ponto na hora de escolher este tipo de acompanhamento. 

O exemplo de “Some of these days” traz acordes na posição fundamental (acordes de D7 e F ) e invertidos (Bb, Bbm, F, G7). Note que foi usado tanto invertido quanto na posição fundamental. 

Outros exemplos : confira variações destes acompanhamentos assistindo o vídeo. Clique aqui.

Qual configuração usar ?

Os critérios para escolher a configuração se baseiam na melodia : é preciso adequar a distância das notas do acompanhamento com as notas da melodia e a sonoridade desejada, alinhando com o andamento.

Ou seja, dependendo da melodia, uma configuração é melhor que a outra pois soa e combina mais, destaca mais a melodia, ou traz mais movimento ou remete a algum gênero musical…enfim,  tudo está ligado a como desejamos que seja a sonoridade final entre melodia e acompanhamento.   

Além disso, principalmente em relação a música ser rápida ou lenta, é importante escolhermos um tipo de configuração que tecnicamente seja mais fácil para tocar.

Conclusão, dicas e o que mais?

Resumindo, vimos  3 tipos de configurações : acordes quebrados (alterna uma nota e as demais do acorde), arpejos (uma nota após a outra) e baixo+ acorde (nota grave alterna com o acorde na fundamental ou invertido) para serem usadas como alternativas ao acorde fechado (bloco) no acompanhamento de melodia. 

A partir do conceito e dos exemplos básicos mostrados, podemos fazer variações trazendo ainda mais possibilidades de diversificar o acompanhamento. 

DICAS :

  • escolha 1 configuração para testar e grave a si mesmo(a), assim você poderá perceber se é uma configuração que está dentro da sonoridade esperada

  • para reforçar e ampliar o que vimos, ouça e analise exemplos de outras músicas que utilizam as configurações estudadas

Como último passo, vamos estudar como distribuir as notas dos acordes também na mão direita, junto com a melodia.

Até a próxima!

Baixe as partituras dos exemplos e faça este treino : CLIQUE AQUI

Assista o vídeo para ver estes e outros exemplos tocados no piano : 

Imagem da capa : Pixabay


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